domingo, outubro 02, 2005

Estas lágrimas são só minhas. Ninguém pode secar com um lenço, que virão mais. Ninguém pode me consolar nem dizer nada que vá mudar alguma coisa. Ninguém pode me entender. Quem chora sempre está sozinho. Acordado à noite inteira, chorando mais às 7 da manhã, às 2 da tarde, muito. "A tristeza é uma alegria falhada." (Clarice Lispector). O quanto eu choro mostra o tamanho da alegria que falhou.

Sorte e azar. Ou será uma questão de competência? Me sinto mesmo, agora, um incompentente. Não consigo parar de pensar que tem um outro lá, no meu lugar - que aliás não é mais meu - e que este outro foi, de algum jeito, mais interessante que eu. E o que eu vou fazer? Me adaptar? Me transformar numa dessas pessoas de que o mundo gosta? Numa dessas pessoas que a felicidade agracia?

Dói demais. Sinto saudades das alegrias que tive. Saudades dela, de tudo nela. De como ela é uma pessoa incrível e apaixonante, de como me dava vontade de pegar e beijar todas as partes de seu corpo. "Seus pelos, seu gosto, seu rosto, tudo o que não me deixa em paz." (Herbert Vianna) Como é que eu vou desistir? Como é que eu vou deixar de amar alguém assim?

Me diz.

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