sábado, julho 08, 2006

Ficção

Lia a autobiografia de um poeta sueco já há uma hora, cercado de caixas de mudança. Chegara ao edifício naquele dia, primeiro edifício em que morou, antes só casas. Quando começou a desempacotar, foi a primeira coisa que apareceu, sentou-se e começou a ler. Estava na fila de leituras já há muito tempo.

O relato andava por volta dos 15 anos do poeta, de quando ele narrava a perda da sua virgindade, com uma moça chamada Anna, do colégio. A leitura é boa e neste ponto chega a ser excitante, rende ao leitor uma ereção e ele até ensaia se tocar. Mas duvida.

O tal poeta sueco é um excelente poeta, de uma verve profunda e triste, de um descrédito total na humanidade. Não parecia alguém que começou tão bem a vida sexual.

Imaginou então o autor, no pátio da escola, no momento em que as crianças abriam suas lancheiras, sentado no banquinho, ao lado da belíssima Anna:

- Na minha autobiografia, direi que trepamos.
- O quê?
- Direi, ainda, que foi muito bom.

2 comentários:

caty disse...

hahahaha
será que vão fzer uma autobiografia com o nome da gente?
:***

Maucir Nascimento disse...

se fizerem uma auto biografia, seria interessante.
O problema é se o pudor fizer das pessoas prisioneiras de seus passados, e esquecidos de ver a arte como arte.